Cientistas desenvolvem novo teste para zika mais barato e rápido

Um novo exame de sangue para diagnóstico da zika foi desenvolvido por um grupo internacional de pesquisadores. O novo exame é mais barato, mais rápido e consegue detectar se o paciente foi infectado de poucas horas até meses após a exposição ao vírus. De acordo com os pesquisadores, o novo teste será uma poderosa ferramenta para diagnosticar a zika em mulheres durante a gravidez.  
 
Segundo os cientistas, a taxa de falsos positivos ou falsos negativos do novo teste fica abaixo de 5% duas a três semanas após a fase aguda da doença, mesmo quando não há sintomas. 
 
"Muita gente que é infectada pela zika não tem sintomas, ou não consegue ir a um médico na fase inicial, aguda, da infecção - o que dificulta o diagnóstico. Nosso novo teste expande a janela para a detecção precisa do vírus, que era de apenas algumas semanas, para vários meses", disse a autora principal do estudo e pesquisadora do Centro para Infecção e Imunidade da Universidade Columbia (Estados Unidos), Nischay Mishra.
 
Segundo Mishra, o diagnóstico da zika é complexo. Os testes moleculares só são confiáveis se forem feitos em um período de duas a três semanas após a infecção, quando o vírus ainda está circulando na corrente sanguínea. Já os testes de anticorpos têm problemas com falsos positivos, porque eles apresentam as chamadas "reações cruzadas" com outros vírus - isto é, eles acusam um diagnóstico de zika quando um paciente tem no sangue os vírus ou os anticorpos da dengue, da febre amarela e da encefalite japonesa, por exemplo.
 
Para desenvolver o teste, os cientistas analisaram amostras de sangue de crianças da Nicarágua - todas elas soropositivas -, obtidas por um projeto de pesquisas do governo do país da América Central. Com a análise, os pesquisadores identificaram uma sequência única de peptídeos - uma curta cadeia de aminoácidos - que se liga aos anticorpos do vírus da zika, mas não aos de outros vírus como o da dengue. 
 
Em seguida, os pesquisadores adaptaram uma tecnologia de testes de baixo custo conhecida como Elisa à sequência de peptídeos identificada. Em geral, os testes Elisa usam trechos maiores de proteínas que se ligam ao vírus.
 
O novo teste, segundo os autores, é altamente específico - isto é, não provoca reação cruzada com anticorpos de outros vírus - e sensível.Ainda segundo os cientistas, o novo teste é capaz de analisar até 200 amostras em quatro horas e terá custo semelhante aos testes Elisa hoje amplamente utilizados em análises clínicas.
 
Além dos cientistas da Universidade Columbia, participaram do estudo pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley; do Instituto de Pesquisas do Exército Walter Reed; do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York; do Departamento Estadual de Saúde de Nova York - todas instituições dos Estados Unidos -; da empresa Roche Diagnostics; da Universidade Erasmus (Holanda); e do Ministério da Saúde da Nicarágua.


Data da notícia: 12/03/2018

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