Presidente da Strategy escreve artigo sobre adoção da metodologia DRG

Grupos de Diagnósticos Relacionados (DRG)

O conceito DRG – Diagnosis Related Groups, surgiu em 1982, criado por dois doutores da Universidade de Yale. Naquela oportunidade o desafio era estabelecer um maior controle nas despesas do programa do governo americano denominado Medicare, voltado para a população de idosos. Ao longo dos anos este projeto tomou corpo e atualmente é o modelo que define a remuneração para a rede de hospitais americanos que são obrigados por lei a atender aos programas públicos (Medicare para idosos, Medicaid para população de baixa renda e VA – Veterans Affairs para Veteranos).

É evidente ao longo dos anos o desperdício crescente no consumo de serviços de saúde, seja pelo mau uso ou excesso de uso. No Brasil dos dias atuais vive-se cenário semelhante: de 20% a 30% dos exames de laboratório realizados não são levados ao médico para análise. Além disto a abundância de evidencia científica é substituída pelo casuísmo da prática clínica, sem a devida consistência estatística, mas que permite, baseado na experiência própria que o profissional médico prescreva o que bem entender.

Precisamos urgentemente trabalhar uma mudança de modelo para a sustentabilidade da atenção a saúde, seja ela pública ou privada. A remuneração baseada em volume não serve mais. É chegado o tempo de aplicar governança clínica e qualidade assistencial vinculados a remuneração dos serviços na área da saúde. Com base nestes pilares cria-se maior valor para o cliente final, a vida humana.

Para a entidade hospitalar, que carece de gestão eficaz em muitas localidades, é importante saber que cerca de 80% do custo de um hospital é fixo, sendo custo variável apenas despesas com fármacos e consumo de procedimentos que demandam materiais. Trazendo esta lógica de pensamento para o atendimento a saúde durante uma internação, no primeiro dia é o momento que se está gerando consumo efetivo de recursos de saúde. A partir do segundo dia o bloco cirúrgico já utilizou o maior consumo de materiais e procedimentos. A internação a partir do terceiro dia gera faturamento para o hospital menor do que seu custo fixo de operação, pois de uma maneira geral, o valor da diária não cobre o custo fixo com equipe de enfermagem e estrutura instalada.

É comum observarmos o raciocínio do administrador de hospital de que leito desocupado é desperdício de recurso, assim, quando existe excesso de leitos, a gestão do hospital tende a influenciar para uma permanência mais longa do que o necessário, expondo ainda o paciente a riscos biológicos do ambiente hospitalar.

O modelo desenvolvido e denominado DRG não pode ser visto apenas como uma redução de custo, pois assim já nasce morto e perde seu significado. Desenvolver uma visão integrada entre hospital e operadora, com objetivos alinhados é o melhor caminho. Existe evidência científica suficiente que nos demonstra que cada grupo classificado no DRG é homogêneo. O modelo trabalha com as variáveis de: diagnóstico principal, diagnóstico secundário, idade e gênero, além de considerar as possíveis comorbidades. No final são cerca de 700 grupos de diagnóstico, embora maior parte da frequência dos atendimentos se concentre em 60 DRGs. É muito estranho pensar que no mundo inteiro o mesmo padrão é utilizado e no Brasil ainda vemos o pensamento “mas aqui é diferente….”. Certamente é diferente e exige adaptações, em 2002 a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG estudou as metodologias e sistemas que existem no mundo e produziu farto material adaptado a linguagem clínica com a equivalência entre a codificação americana e brasileira, vale a pena a leitura.

Raquel Marimon
Presidente
Strategy Consultoria