Perspectivas e Cenário da Saúde Suplementar em 2018

Perspectivas e Cenário da Saúde Suplementar em 2018
 

A temperatura estava elevada naquela tarde de outono, dentro e fora do Web Summit  Lisboa, investidores de fundos três vezes maiores que o PIB português se espremiam entre startups e fintechs de todo o planeta, lotando a Expo e todos os hotéis da cidade. Nesta atmosfera, enquanto eu descobria o 9º. melhor sistema público de saúde do mundo sob meus pés, recebia o convite para escrever este artigo. Voltei meu olhar inteiramente para o Brasil, tendo como foco entender primeiro onde estamos, para então avaliar para onde iremos.

A constatação da redução de beneficiários na Saúde Suplementar motivou minha abordagem preferencial pela crise econômica brasileira de 2014-2016, considerada como uma das piores já enfrentadas no Brasil, e que contribuiu severamente para a eliminação de 2milhões de empresas e devorou 9 milhões de empregos, observando-se pela primeira vez uma queda do número de beneficiários, fechando 2016 com 48 milhões. 

Embora tecnicamente a crise econômica tenha terminado, seus efeitos serão sentidos nos próximos dez anos. Contudo, para 2018 teremos um cenário não mais recessivo, de recuperação ainda lenta da economia, com baixo investimento, mas com crescimento. Em relação ao desempenho da economia estima-se que câmbio, Balança Comercial e juros (Selic) devem permanecer estáveis; inflação com ligeira queda em 2017 fechando em 3,15%, porém com alta prevista para 2018, fechando em 4,2%. Dívida Líquida e conta corrente com projeção de alta e PIB estimado em 0,5% para 2017 e 2,2% para o ano que vem. Fatores como aumento da longevidade da massa, incorporação de tecnologia tabelas de preços com aumentos livres – tais como Brasíndice e Simprohospitais com tabela própria, ineficiência e desperdício manterão a inflação de custos de saúde das operadoras na casa de 18%, contra um índice de reajuste da ANS para o período 2018-19 estimado em 12,5%.

Os juros e inflação baixa, retomada da confiança pelas empresas e o retorno do investimento devem ampliar os negócios e gerar novos postos de trabalho. Assim torna-se possível prever no planejamento das operadoras, crescimento de receita e também de beneficiários. Convém lembrar, no entanto, que em ano de eleições os gastos dos governos aumentam e junto com eles a inflação, enquanto os investimentos públicos minguam.

Em 2018, ano em que se comemorará o aniversário de 20 anos da Regulamentação da Saúde Suplementar, a legislação obsoleta, endividamento e baixa rentabilidade deverão contribuir para a redução do número de operadoras do setor. A agenda regulatória da agência para 2016-2018, apresenta quatro eixos e dentre eles o da Sustentabilidade do Setor, com o projeto de Compartilhamento de Riscos – o qual será transformado em resolução, sendo operado em três modelos: corresponsabilidade entre as operadoras para atendimento aos beneficiários; 2 possibilidade de criação de fundos mútuos para despesas assistenciais; e 3 para oferta conjunta de planos, tal como nas operações de cosseguros. Cada operadora, deverá avaliar aquele no qual ela melhor se adequa. O Resseguro, permitido apenas para as SES, fica de fora, assim como ações efetivas da ANS em apoio às operadoras na eliminação do “cartel das próteses e órteses”, cujo efeito – de acordo com o IESS gira em torno de 20% dos custos assistenciais, ou R$ 25 Bilhões.


J. Cella
Chairman | Strategy


Data do artigo: 27/12/2017