Qualidade Assistencial

 

Qualidade Assistencial

 

Nesta semana aconteceu o Seminário Internacional da Qualidade Assistencial e Segurança do Paciente em Serviços de Saúde, promovido pelo IESS – Instituto de Estudos em Saúde Suplementar. Parabéns a organização do evento, excelente escolha de temas e nível dos expositores, com uma plateia atenta e seleta.

A transparência da informação poderá trazer avanços muito significativos para a saúde das pessoas, seja na saúde pública como na privada, ficou evidente o quanto ainda temos a caminhar neste sentido para o mercado brasileiro.

Adoro fazer analogias, elas ajudam a relacionar uma ideia nova a um conceito já conhecido e vou usar este método para expor o que pude perceber no decorrer do evento. Quando passamos a ter melhores métodos de diagnóstico conseguimos tratar de forma mais assertiva o paciente. Se um médico apenas percebe uma infecção tratará o paciente com antibiótico genérico, já se ele identificar exatamente qual órgão do corpo está enfermo, prescreverá um antibiótico específico para aquele órgão, se ele puder identificar exatamente qual a bactéria poderá ser mais específico ainda quanto ao tratamento, indicando de forma a gerar menores efeitos colaterais, o tempo adequado do tratamento e a dosagem da medicação. O mesmo acontece em gestão. Se soubermos exatamente o que não está funcionando, em qual área ou parte de um processo fica viável alterar aquela parte específica. É neste ponto que a transparência da informação é o principal aliado da segurança do paciente. Somente o que é medido pode ser melhorado. Se não medirmos o grau de efetividade das intervenções clínicas não seremos capazes de melhorar a entrega final. Hoje o paciente é seu próprio avaliador e quando não fica satisfeito com o tratamento, muda de médico. A medicina em si foi estimulada a gerar evidências de que as práticas individuais são bem sucedidas, sendo muitas vezes ausente o preceito de que é necessário ter uma visão mais ampla da saúde de um paciente, é necessário vê-lo como individuo e não como doença.

Você sabia que cerca de 50% dos pacientes que adquirem pneumonia hospitalar (neusocomial) morrem durante a estadia hospitalar? E que este tipo de pneumonia é adquirida em razão de broncoaspiração durante a estadia hospitalar?

Neste processo de busca por melhores desfechos teremos que passar por evidenciar dados “feios”, dados que queremos esconder. Uma rede hospitalar declarou hoje em uma apresentação que tem cerca de 30 mortes por mês na sua rede em decorrência de condições adversas graves! É muita coragem expor. Mas é só expondo números que se poderá tratar a sua causa, que neste caso é a descoordenação do cuidado com o paciente. Cada setor da organização se ocupa de executar sua tarefa com maestria, e os elos da cadeia ficam soltos, desconexos, por que nenhum dos elos se auto intitula responsável pelo desfecho. Nesta desconexão acontecem as condições adversas, que podem ser severas e até fatais para o paciente.

Como começar?

O primeiro passo é o estímulo a notificação de danos, ocorrência de condições adversas.

A partir da análise destas informações deve ser feito um plano de ação que devem ser implantados para buscar melhoria nos processos e então mais eficácia na atenção a saúde. Depois do passo inicial de evidenciar indicadores e realizar o planejamento é importante evoluir para medir desfecho. Entenda-se por desfecho a qualidade de vida do paciente pós intervenção/tratamento. Ele voltou a ter as funções reestabelecidas? Qual o nível de dor e por quanto tempo após a intervenção/tratamento?

 

No final o que se deseja é entregar mais saúde.
 

Raquel Marimon
Presidente
Strategy

 

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Data do artigo: 16/08/2018