A sustentabilidade da Saúde Suplementar



A sustentabilidade da Saúde Suplementar

 

Muito se fala na gestão da sustentabilidade e longevidade, dos planos de saúde. Seja no lado do paciente, prestador e das fontes pagadoras. A notícia de hoje, talvez seja a mais importante neste segmento, desde a promulgação das Lei 9656 e suas várias consecutivas MPs, que estabeleceram o marco regulatório desta indústria.

 

Para um equilíbrio sustentável de um Plano é preciso que o risco seja compartilhado entre os diversos stakeholders desta indústria, pois desta forma todos se preocuparam em oferecer, utilizar e gastar os recursos de maneira mais racional. Atualmente, o risco esta concentrado na operadora, que por sua vez, transfere o risco para a empresa contratante e esta última por sua vez transfere seus custos para a sociedade, em forma de aumento nos preços de seus produtos ou serviços. Assim, não iludimos, quem esta pagando a conta somos nós.

 

Convivemos há vários anos com um processo de hiperinflacionário no segmento de dois dígitos e tal como experimentamos no passado com o Plano Real, aprendemos que somente um choque poderá alterar esta dinâmica. Talvez esta medida anunciada seja o tal choque que precisamos. A inclusão de altas franquias nos planos não é uma idéia nova, tão pouco brasileira. Há anos este modelo de franquias elevada existente outros mercados, permitiu que a inflação dos custos médicos nos EUA, por exemplo, fosse reduzido de quase 12%aa, na década de 80, para menos de 2% neste ano. Criou-se o plano "Consumer-Driven Healthcare, no qual mas o usuário paga indenizações médicas usando uma conta de gastos pré-financiados, geralmente com um cartão de débito especial fornecido por um banco ou plano de seguro. Ou seja, outros veículos serão criados para viabilizar este tipo e operação. Dentre os quais, reputo o VGBL Saúde, como o mais adequado para isso. Estas medidas, permitiram tonar sustentável o modelo de negócio nestes mercados

 

Não será um processo indolor principalmente no modelo que temos onde o consumidor empoderado de uma carteirinha usa e abusa dos recursos médicos disponíveis com cumplicidade dos prestadores, pois sabedores de que as fontes pagadoras serão obrigadas a pagar a conta. O benefício real e imediato será uma forte redução de até 50% nos valores das contribuições, permitindo um grande alívio nos orçamentos as empresas, que patrocinam este benefício.

 

O maior impacto, talvez não seja unicamente na redução das contribuições ou ligado na redução de utilização, mas também no próprio modelos de negócios que atualmente persiste nos estabelecimentos hospitalares. Recentemente participei de um evento, no qual o CEO de uma grande operadora que possui vários hospitais próprios, afirmou que "Pacientes Deitados" dão prejuízos aos hospitais e os "Pacientes em Pé", lucram o suficiente para compensar as perdas anteriores. Ora se isso é fato, esta nova regulamentação obrigará uma forte mudança nos modelos de negócio de hospitais e redes de laboratórios. O beneficiário do plano não terá mais a benesse de utilizar sem limites e restrição sem que pague por isso. Assim o consumo será muito mais racional e buscará apenas serviços médicos em situações críticas. Como consequência os prestadores terão que reverem a forma de atender seus pacientes, pois estes a suportarão o primeiro impacto da conta médica e assim certamente questionarão os pedidos de exames médicos desnecessários, evitarão procedimentos prescritos sem a devida justificativa.

 

Expansões em ambientes ambulatórios proliferaram nos hospitais, assim como redes de diagnósticos criaram inúmeros pontos de coleta, deverão sofrer os impactos deste novo modelo, pois nasceram sob a égide da regra da "viúva pagando a conta". Certamente ocorrerá uma redução nas estruturas ou mudança na forma de atendimento ao paciente. Outra consequência direta, será a redução do absenteísmo nas empresas, pois será mais caro pagar o valor da consulta para ter um atestado, do que o dia trabalhado. Aqueles más profissionais que viviam de fornecer atestados, deverão mudar seu negócio também. Enfim, termos a tão esperada revolução na indústria, aguardada nos últimos anos.

 

Valter Hime
Consultor da VH Consultoria com ampla experiencia na indústria de seguros.


Data do artigo: 19/04/2018